sexta-feira, 23 de julho de 2010


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Eu fui pra nunca mais voltar. Retirei do teu penhor o meu sorriso dando-te em troca todos os sonhos que me fizeste sonhar. Realize-os com um outro alguém. Antes disso, saia do teatro e mostre ser quem verdadeiramente é. Nada. Inferior a isto, é o que você é pra mim. Meu sorriso não era o mesmo quando resgatei do teu penhor.

Me dirigi ao sul. Peguei condução a caminho do nada. Sentei-me numa poltrona distante, retribuindo olhares com aquele sorriso que me restou. Um moço velho adentrou na condução e sentou-se na poltrona que estava vazia, do meu lado. Observando todo o ambiente, aquele velho estava, enquanto o ônibus saía do lugar, percorrendo então vários e vários metros. Sorrindo, estava eu, quando aqueles olhos passaram a me observar, analisando-me. O velho então disse:

- Teu rosto está tão vazio, jovem.
- O que queres dizer com isso, senhor?
- Esse seu sorriso não tem algum valor. Porque não trocas ele comigo por um par de olhos cheios d'água? Ele tem o mesmo valor. - O velho havia dito.
- Realmente esse sorriso já perdeu a validade, senhor. Mas por que queres trocar, se ele é tão insignificante? Eu disse sorrindo vagamente.
- Vejo que ao usar, ele te machuca. Aproveite o turvo dessa condução e troque comigo pelo o que eu te ofereci.

Encarei o velho, que segurou minha mão, esgotando-me as forças para manter minha cabeça erguida. Abaixei minha cabeça realizando a troca. Naquele momento uma moça gorda saía do banheiro com aparência suada. Ela notou que o velho ainda não havia dormido e lançou-lhe um sorriso sem graça. O velho então retribuiu usando aquele sorriso que comigo trocou.

- Aquela moça devia estar com dor de barriga, hein, filho.
Eu levantei a cabeça e um sorriso novo me veio ao rosto.
- Haha, tadinha dela, moço. - Falei sorrindo, feito bobo.
- Esqueci de ti dizer, jovem. Mas, aquele par de olhos vinha com esse seu sorriso, de brinde. Seu rosto vazio, já não mais está.

Meus olhos secaram diante da grande gratidão refletida em meus dentes que haviam tornado meu sorriso maior. E então, aquele senhor, eu abracei.


Imannuel Kant definiu o belo como o que agrada universalmente sem depender de um interesse ou de um conceito. Platão definia o belo como a idéia perfeita, que daria forma as coisas perfeitas, uma manifestação da alma, não da sensibilidade. E Aristóteles relacionava o belo à justa medida, simetria, proporção, harmonia. - Eu defino o belo como nós dois.
Discordando da teoria de Kant, não agradamos a todos. Distorcendo um pouco a teoria de Aristóteles, podemos ver uma certa simetria entre nós, uma harmonia, sintonia. E engrandecendo mera parte da teoria de Platão, ‘belo é o que nos faz bem’, e o que nos faz bem vem da alma, dando formas perfeitas - o meu belo é você.
Não importa o modelo do seu carro, nem a marca das suas roupas. Não importa com quem você anda, nem de quem você é inimigo. Não importa se você anda com o cabelo desarrumado e de havaianas. O que importa é que você me faz feliz.
Se eu estivesse em um desfile de moda, vestindo roupas Dolce Gabbana e bebendo champanhe da melhor qualidade, e você parasse na frente da ocasião de bicicleta, chinelo Havaianas, bermudão e regata, e me chamasse pra fugir com você, juro que não pensaria duas vezes e subiria na pedaleira da bicicleta sem um pingo de vergonha, sem medo de rasgar minhas roupas ou sapato, na dúvida que a sandália incomodasse eu a daria ao mendigo da esquina, e deixaria você me levar a onde quisesse.
Eu moraria em baixo da ponte com você, só pra ver a lua e as estrelas à noite, que são tão lindas quanto as suas palavras e a sua voz.
Podíamos construir uma casa na árvore e vivermos com as nossas livres e eternas almas de crianças. Acordar todos os dias e sentir o cheiro de floresta.
Podíamos morar no lugar mais úmido do mundo só pra sentir o cheiro de terra molhada ao acordarmos.
Podíamos correr na maratona de São Silvestre, só pra você me pegar no colo no meio do caminho e levar pra qualquer outro lugar onde pudéssemos ficar sozinhos.
Podíamos pular de paraquedas enquanto eu escrevia meu nome de caneta na sua mão, e você escrevia o seu na minha.
Podíamos roubar uma moto, ou um carro, ou um ônibus... por que não um avião?!
Podíamos comprar uma cama elástica, uma geladeira que sai gelo na porta, um cachorro, uma cadela, um peixe, uma barraca para irmos acampar... Por que não?!
Podíamos conhecer o mundo juntos, sentindo o vento em nossos cabelos, vendo o sol nascer todas as manhãs e agradecer todos os dias por isso. Podíamos correr perigos, quase morrermos, quase matarmos... e tudo isso por amor!
Bonito é o que nos faz bem, são as coisas simples que nos fazem felizes, e você me faz bem demais. Vamos ser livres, vem ver as estrelas comigo!!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Quem me dera Ao menos uma vez Ter de volta todo o ouro Que entreguei a quem Conseguiu me convencer Que era prova de amizade Se alguém levasse embora Até o que eu não tinha
Quem me dera Ao menos uma vez Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira Que se cortava sempre Um pano-de-chão De linho nobre e pura seda
Quem me dera Ao menos uma vez Explicar o que ninguém Consegue entender Que o que aconteceu
Ainda está por vir E o futuro não é mais Como era antigamente.
Quem me dera Ao menos uma vez Provar que quem tem mais Do que precisa ter Quase sempre se convence Que não tem o bastante Fala demais Por não ter nada a dizer.
Quem me dera Ao menos uma vez Que o mais simples fosse visto Como o mais importante Mas nos deram espelhos E vimos um mundo doente.
Quem me dera Ao menos uma vez Entender como um só Deus Ao mesmo tempo é três Esse mesmo Deus Foi morto por vocês Sua maldade, então Deixaram Deus tão triste.
Eu quis o perigo E até sangrei sozinho.. Entenda! Assim pude trazer Você de volta pra mim Quando descobri Que é sempre só você Que me entende Do iní­cio ao fim.E é só você que tem A cura do meu vício De insistir nessa saudade Que eu sinto De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera Ao menos uma vez Acreditar por um instante Em tudo que existe E acreditar Que o mundo é perfeito Que todas as pessoas São felizes...
Quem me dera Ao menos uma vez Fazer com que o mundo Saiba que seu nome Está em tudo e mesmo assim Ninguém lhe diz Ao menos, obrigado.
Quem me dera Ao menos uma vez Como a mais bela tribo Dos mais belos índios Não ser atacado Por ser inocente.
Nos deram espelhos E vimos um mundo doente Tentei chorar e não consegui....

| Legião Urbana - Indios

terça-feira, 13 de julho de 2010

Acostumada a me abraçar no frio
Nosso aniversário era dois de abril
Minha blusa favorita fica melhor em você.

Acordava ouvindo você cantar
A música que eu fiz pra você lembrar
Dos momentos que a gente prometeu não esquecer.

Seu olho mel me fazia sorrir
Seu carinho não me deixou dormir

Mergulhada nos meus sonhos
Eu sempre andei sozinho.

Explicava pra você entender
Perfumada só pra eu perceber
Estivemos muito perto sob o céu azul marinho.

O presente que você já me deu
Várias vezes nunca me convenceu
Mil problemas das idéias loucas sem preocupação.
Apagava a luz pra você entrar
No domingo eu não parava de pensar
Me perdia de mãos dadas com minha imaginação.


Aquele sol que derreteu os nossos sonho
De congelar o tempo, de escorregar na vida juntos



| Felipe Smu
Animais são anjos disfarçados,mandados a Terra por Deus,para nos mostrar o que realmente é fidelidade.
Eu olho em volta e vejo pessoas,os maltratando,pessoas os devorando,pessoas que não dão a mínima,eu sempre gostei muito de animais,e sempre sonho com uma casa gigantesca,com todos os tipos de animais que uma pessoa possa ter,cães,gatos,macacos,iguana,cobra,sério sempre achei essa idéia super legal.Eu rica,pegando os cachorros das ruas e colocando eles dentro da minha casa! não seria genial.Posso parecer louca,ou não,para algumas pessoas,o problema é que,quanto mais eu vejo pessoas,mais eu admiro os animais.

O primeiro passo,para se chegar a algum lugar é colocar o coração nesse lugar. Ninguém caminha por trilhas difíceis sem um bom motivo!.

Você sempre me disse que sua maior mágoa, era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, o porque de eu dormir chorando, porque era impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo. Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado, e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto, mas senti uma coisa linda por dentro do peito. Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.
Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.
Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”. Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios isso acontecia com você. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.
Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida, e que você é cheio dessas coisas. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você me deixou te olhar, mesmo você não gostando de mim.
E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.
(Tati Bernardi)



- Adoro esse texto apesar de não ter nada a ver comigo :~

Espelho





"Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente, sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados, meus pais não podem sofrer por mim. Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar.
Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz"

sábado, 19 de junho de 2010

Apague a luz, vamos fugir daqui
Nós dois correndo morrendo de rir
Dane-se o mundo ao nosso redor
Vamos de encontro ao nada Correndo pela estrada
Sempre na mesma direção.

Vem pro meu lado
Já não importa mais futuro ou passado
O que nos resta é o aqui e o agora
O que os outros pensam nós jogamos fora

...

Do dia claro
Num momento raro
É assim e sempre seja assim
Que não se acabe nunca
E não mude jamais

| Darvin


Nunca imaginei que iria encontrar alguem assim...um amigo,garoto. E ja faz um tempo... Por muitas vezes,Ele é tudo que eu tenho ,tudo que eu tenho pra amar e tudo que eu não posso ter. É o que existe de melhor em mim! Não há duvidas de que a relação mais intensa que ja tive na minha vida inteira foi essa! Eu nunca briguei tanto com alguem assim.Talvez seja o signo...Talvez sejamos parecidos demais,sei lá...Surgiu na minha vida num momento que eu precisava de alguem,que me fizesse tão bem ao ponto de esquecer qualquer outra coisa que me fizesse muuito mal naquele momento. Ele é essa pessoa e conseguiu fazer tal façanha com habilidade incomum,digamos assim. Eu preciso dele.Talvez o exceço de amor que eu dou a ele por muitas vezes o tenha feito se cansar...’minha paixão,meu segredo’ éé...ele me chama assim as vezes! Paramos de nos falar por coisas bobas e aconteceram vaaarias vezes! E eu quase tinha certeza de que não voltariamaos a nos falar...Mas sempre voltamos,seempre.
Ainda assim...eu perguntava as pessoas por ele,se ele tava bem...enfim. É dificil descrever... mesmo que eu tente,mas ninguem melhor que eu e Ele sabemos de tuuudo que se passou entre todos esses anos,e o sentimento que sempre esteve entre eu e ele. Em cada olhar,em cada abraço que falava por nós...e qualquer momento mais banal possivel que teve um significado imenso,que não dá pra explicar. Muiito mais que um amigo,ele é um presente...é meu vício,meu pecado,minha desgraça,é tudo que eu tenho de melhor,é meu erro....não consigo ver outro caminho em que ele não esteja presente. Bem, muitas vezes...as coisas só estavam bem pra mim se nós dois estivessemos bem.Faço ele me prometer inumeras coisas,pra ter a certeza de que ele não vá me esquecer... Eu insisto em mostrar que o amo,mesmo ele ja sabendo disso e quando eu recebo isso de volta é como se ganhasse um jogo. Eu guardo TUDO comigo,cada sensção e fico feliz que as coisas hoje sejam mais normais,digamos assim. E...sou grata imensamente por ter tido previlegio de ser alguem tão proxima a você, a ponto de poder ter te escutado falar dos sentimentos e das suas fragilidades.E pode passar o tempo que for o jeito que a gente conversa,
com meias palavras...ainda expressa tamanho amor.Acho que isso merecia um texto melhor,mas foi o que consegui ;/

Eu te amo demais , você sabe disso , sabe que vai muito além do que qualquer amizadezinha por ai , nós sabemos o que se passa por dentro e por fora de nós dois , podemos não estar presente em corpo todos os dias , mas ao menos nos meus pensamentos , você é presente 24 horas !

sábado, 5 de junho de 2010


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Passei a acreditar que pessoas não precisam ser “ posse “ uma das outras pra serem completas (amorosamente falando), acredito que amores são amores a partir de um momento que se entregam , seja lá por 2 minutos ou por anos . Olhares , mensagens , músicas . Palavras , brincadeiras , toques . Amor , paixão , amizade . Misturas apenas , daquele jeito que só sabemos passando . Podemos dizer que quando passamos por momentos pelo qual nos apaixonamos acabamos entregando não só nosso coração , mas nossos pensamentos e nossa alma , pois aquela “ pessoa “ passa a ser parte do nosso corpo , do nosso dia a dia .
Eu não desejei uma pessoa perfeita pra estar ao meu lado , só desejei o melhor que poderia ser pra mim , não fiz nenhuma projeção de amor surreal , mas achei que deveria ter o meu encaixe , jamais pensaria em passar por algo realmente novo , não pensei que poderia ser criança ao ponto de me divertir com bobagens , mas consegui enfeitar meu mundo , fazer dele uma só fantasia , depois que você apareceu . Chega perto e deixa tudo mais claro , mais quente , mais vermelho ,mais bobo , mais engraçado , mais fofo , mais romântico ! Consigo definir olhares e palavras , só não consigo entender como eu não acreditava em destino , como não acreditava em alguns amores ,até você chegar e mudar toda minha concepção , vi que o destino pode sim , apresentar , arrumar e conseguir formar uma história .
Pode ser que agora chegue a tudo se perder no espaço , perder o sentido , e a emoção , mas as mãos , os lábios , olhos e cada parte do meu corpo , vai ter uma parte sua , e teu corpo vai estar aqui gravado , guardado , fixado em mim !
| Paloma Ferreira

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O amor não acaba, nós é que mudamos

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

OS VIRGENS

Sou virgem e meu signo é libra. Sou solteira e sou virgem. Tão virgem quanto você.

Quando falamos em virgindade, logo pensamos em sexo, e a partir do dia que o experimentamos, o mundo parece perder seu mistério maior. Não somos mais virgens! Que grande ilusão de maturidade.

Virgindade é um conceito um tanto mais elástico. Somos virgens antes de voltar sozinhos do colégio pela primeira vez. Somos virgens antes do primeiro gole de vinho. Somos virgens antes de ver Paris. Somos virgens antes do primeiro salário. E podemos já estar transando há anos e permanecermos virgens diante de um novo amor.

Por mais que já tenhamos amado e odiado, por mais que tenhamos sido rejeitados, descartados, seduzidos, conquistados, não há experiência amorosa que se repita, pois são variadas as nossas paixões e diferentes as nossas etapas, e tudo isso nos torna novatos.

As dores, também elas, nos pegam despreparadas. A dor de perder um amigo não é a mesma de perder um carro num assalto, que por sua vez não é a mesma de perder a oportunidade de se declarar para alguém, que por outro lado difere da dor de perder o emprego. Somos sempre surpreendidos pelo o que ainda não foi vivido.

Mesmo no sexo, somos virgens diante de um novo cheiro, de um novo beijo, de um fetiche ainda não realizado. Se ainda não usamos uma lingerie vermelha, se ainda não fizemos amor dentro do mar, se ainda cultivamos alguns tabus, que espécie de sabe-tudo somos nós?

Eu ainda sou virgem da neve, que já vi estática em cima das montanhas, mas nunca vi cair. Sou virgem do Canadá, da Turquia, da Polinésia. Sou virgem de helicóptero, Jack Daniels, revólver, análise, transa em elevador, LSD, primeira classe, Harley Davidson, rafting, show do Lenny Kravitz, siso e passeata. A virgindade existencial nos acompanha até o fim dos nossos dias, especialmente no último, pois somos todos castos frente à morte, nossa derradeira experiência inédita. Enquanto ela não chega, é bom aproveitar cada minuto dessa nossa inocência frente ao desconhecido, pois é uma aventura tão excitante quanto o sexo e não tem idade pra acontecer.


Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes do Woody Allen, do Hal Hartley e do Tarantino, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem namorado?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do Cupido do que por uma ficha limpa.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele adora o Planet Hemp, que você não suporta. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, mas você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, ele adora animais, ele escreve poemas. Por que você ama esse cara? Não pergunte pra mim.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou murchar, você levou-a para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de MPB, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano-Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são referências, só. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo o que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas só o seu amor consegue ser do jeito que ele é

DOR FÍSICA X DOR EMOCIONAL


O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.

Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.
Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.


Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.